O Evil Live Festival chegou ao fim depois de três dias de música pesada no estádio do Restelo, encabeçados por Judas Priest, Korn e Slipknot.
Estivemos lá a curtir a vida. Mas quais bandas explodiram, surpreenderam ou floparam?
Recuperados das nódoas negras e das dores dos moshpits, eis o que retirámos do festival!
Índice Evil Live 2025
OS DEUSES
SLIPKNOT
Viemos todos para isto, não foi? O Restelo estava cheio para ver Slipknot. Ficou meia-hora na expetativa até que finalmente começasse o concerto.
Assim que veio o primeiro estrondo, a casa foi abaixo.O público louco, o Corey Taylor a dar tudo nos vocals. Como é que este homem tem 51 anos e chega ao final de uma tour com a voz intacta?
O Eloy Casagrande a dar um espetáculo na bateria, um aninho depois de integrar os Slip.”Before I Forget”, “Duality”, “Psychosocial” ou “The Devil in I” tocaram e deitaram aa casa abaixo. No final foi só contar nódoas negras do mosh.
São enormes. Mesmo com o ‘Clown’ ausente, fecharam em grande o Evil Live.
KORN
“A última vez que fui ver Korn foi no Rock In Rio, quando aquilo deu merda”. A descrição foi a mesma, pessoa atrás de pessoa. A última vez que tinham vindo a um festival em Portugal o concerto nem aconteceu, por causa de problemas no som.
Sim, está bem, eles vieram ao Campo Pequeno em 2017, mas a malta entrou de propósito num Rock In Rio para vê-los e acabou a levar o maior melão metaleiro da década.
Posto isto: valeu a pena a espera? Hell yeah! Korn entrou com tudo e fechou com tudo. Até um solo de gaita de foles do Jonathan Davis tivemos.
Depois de malhar com “Blind”, “Twist” ou “Y’All Want a Single”, saíram do palco. Compasso de espera e aparece em grande no ecrã: “More?”. O encore fechou com a inevitável “Freak On a Leash”.
Valeu a pena ter perdido um anel no meio da confusão.
JUDAS PRIEST
Pode parecer preguiçoso destacar desta forma apenas os cabeças de cartaz do Evil Live, mas é o que é. E Judas Priest foi único motivo que fez valer o bilhete do primeiro dia.
Sim, Rob Halford começa a sentir o peso dos 73 anos, mas mesmo a mexer só um pouco as ancas fez um belo concerto. Judas tocaram os clássicos “Breaking The Law”, “Nightcrawler” e “Painkiller” antes de um encore de peso, que acabou com “Living After Midnight”.
Quem gosta de clássicos, viu e ouviu clássicos. Valeu a pena o passe de três mesmo por eles. Até o Rob entrou em palco numa Harley Davidson a certa altura.
Estes deuses não duram para sempre, mas ainda têm energia para animar um estádio.
AS REVELAÇÕES
JINJER
Nunca tinha visto Jinjer. Só ouvido algumas músicas para me familiarizar e, bem… que concerto!
A energia foi brutal, o público esteve em completa sintonia com a banda (belos mosh) e a voz da Tatiana foi demolidora. Conjugar vocals limpos com growls não é para todos. Carregou o espetáculo do início ao fim com grande pujança e deixou a malta bem mexida.
Já estou a fazer contas para o concerto a solo do próximo ano. Estes ucranianos são caso sério.
EAGLES OF DEATH METAL
Estava um pouco pé-atrás por uma razão: como será que vai encaixar uma banda tão Rock ‘n Roll num festival como o Evil Live? A resposta foi: perfeitamente.
A personalidade do Jesse Hughes puxou pela multidão, que aquecia já a pensar numa noite pesada com Korn. O rock animou, o pessoal curtiu as músicas e, apesar de não ser aquela explosão de loucura habitual do Metal, deixou toda a gente animada.
Os Eagles Of Death Metal afastaram o Evil Live das habituais metaladas, mas nem se deu pela quebra de ritmo.
Cumpriram em grande!
TILL LINDEMANN
Todos sabemos o que esperar de Rammstein, mas o que acontece se deixarem o Till sozinho? Pois bem, acontece isto: Metal, sexo, bolos e… sardinhas.
Sinto que dava para escrever uma dissertação de mestrado sobre o que se viu ali durante uma hora e meia. O palco todo vermelho, Till Lindemann vestido como o M. Bison do Street Fighter, a baixista, a guitarrista e a teclista numa mistura de Bay Watch com Pulp Fiction.
Mas o MVP da tarde nem foi o vocalista de Rammstein. Não, não, não. Esse prémio vai para a lenda viva, o baterista Joe Letz que durante 90 minutos andou a tocar, a atirar bolos e a tirar tampões de uma falsa vagina (não perguntem) enquanto tinha um alargador sexual na boca. O TEMPO TODO!
Ainda deu para ver o Till a meter todo um sardo na boca depois de disparar sardinhas para o público com um canhão de ar comprimido, o que fez com que o mosh em Korn parecesse que estava a ser feito no Mercado de Setúbal.
Foi divertido? Foi. Até porque as músicas de Lindemann têm uma grande vibe Rammstein, mas com mais sexo. Deu para passar a semana a cantarolar “Golden Shower… Tan, nan, nan nan nan”.
OS FLOPS
TRIPTYKON
Deixemo-nos de rodeios: o cartaz do primeiro dia do Evil Live era o mais fraco. Valia pelos já mencionados Judas Priest, de resto…
Uma das últimas bandas a ser anunciada foi Triptykon o que, para quem esperava algo grande a ser cozinhado, não deixou de saber a pouco.
Mas que tal foi o concerto dos suíços? Não deu para puxar por muita coisa. Desde já têm o problema crónico das músicas serem todas parecidas. Depois, o espetáculo não passou muito do “banda entra, toca umas cenas e vai embora”.
Para penúltima banda da noite, ficou muito aquém.
OPETH
Caaaaaalma, não me batam. Gosto muito de Opeth. No metal melódico, não há como eles. Mas os festivais são sempre este calcanhar de Aquiles para o melódico, que leva com a fava.
No ano passado tinha acontecido o mesmo com Katatonia. Mesmo tirando os problemas técnicos, pareceu quebrar a energia da multidão.
Opeth foi um tanto parecido. Deu aquela sensação de um corpo estranho no meio do festival e a atitude “I don’t give a fuck” do Mikael Akerfeldt não ajudou.
Pontos positivos: a voz do Mikael é fantástica e quem gosta da banda ainda conseguiu curtir umas belas batidas.
FALLING IN REVERSE
Já não ia com grandes expetativas para Falling In Reverse e, verdade seja dita, pouco se fez para contrariar esta ideia.
Foi um espetáculo frio, recebido com ‘mixed feelings’ pelo público e, no final de contas, soube a pouco para a penúltima banda do Evil Live.
Mas até deu jeito, para recuperar nas bancadas do mosh em Jinjer e ganhar força para voltar à carga em Slipknot.


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