A primeira vez que vi o Brent Hinds foi em 2017.
Os Mastodon regressavam a Portugal cinco anos depois. Já batiam as saudades.
No palco, destacava-se a bateria de Brann Dailor, o bigode e a guitarra de Bill Kelliher, o estrondoso baixo de Troy Sanders e, acima de tudo, um tipo que estava à esquerda do palco, com uma enorme tatuagem na testa, que fazia a guitarra gritar como ninguém.
Naquelas 21 músicas que tocaram naquela noite, Brent fez estremecer o edifício. O estoiro que dvaa quando tocava era pesado, mas também era diferente de tudo o resto. Se o som da banda soava único, tinha muito dedo de Brent.
Era um personagem. Um tipo que parecia um marginal, fazia o que queria no palco. As malhas saíam sempre brutais, mesmo que andasse ali às voltas no palco.
A acabar o concerto, depois de Circle of Cysquatch, Brann perguntou se queríamos ouvir mais uma. Chamou o Brent. Ele voltou. Começaram a tocar Blood and Thunder e a casa veio abaixo. Foi o mosh da noite.
Perdeu-se um grande tipo. Louco no bom sentido, um outcast que fazia o que lhe dava na gana. O mesmo gajo que, no primeiro ensaio com os Mastodon, tinha festejado tanto na noite anterior que nem conseguia pegar na guitarra.
Escolhi a The Beast para assinalar o dia em que perdemos uma lenda. Vem do último álbum, que teve grande impacto na própria banda, por ser uma ode ao Nick John, o agente de Mastodon que tinha morrido.
Um dia voltarei a sentir um mosh ao som do Brent. Vais fazer falta.


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